Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta folhas soltas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta folhas soltas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Folhas Soltas - José Gomes Ferreira

Esta semana, por estarmos a celebrar o Dia da Europa, escolhemos para as habituais "Folhas Soltas" o autor José Gomes Ferreira. Este escritor português foi cônsul na Noruega e conheceu a Europa de lés a lés.


Nasceu no Porto a 9 de Junho de 1900 e morreu em 1985.
Escritor, poeta e ficcionista português formou-se em Direito em 1924 e foi cônsul da Noruega entre 1925 e 1929. Quando regressa a Portugal, dedica-se à carreira jornalística e à criação literárias. José Gomes Ferreira foi um representante do artista política e socialmente empenhado. É autor da conhecida obra “As aventuras de João Sem Medo”.

Os anos passados na Noruega e a leitura de autores como Ibsen acentuaram o pendor expressionista do seu imaginário e abriram-lhe horizontes políticos e sociais.


“Sem ousar dizer que não os conhecia (…), acedi logo a entoar o hino com os invasores que, naquele instante. Supunham talvez que me destruíam a solidão, quando afinal lhe abriam novas veredas.”


  In Tempo Escandinavo


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Folhas Soltas - Fernando Assis Pacheco

Na semana em comemoramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, decidimos relembrar Fernando Assis Pacheco cujo percurso esteve intrinsecamente ligado à história recente do nosso país, nomeadamente durante a transição entre a Ditadura e a Democracia.


Escritor e jornalista português, natural de Coimbra, nasceu a 1 de Fevereiro de 1937 e faleceu a 30 de Novembro de 1995. Licenciado em Filologia Germânica, esteve ligado aos grupos teatrais académicos durante os seus estudos universitários, em Coimbra. Após um período de mobilização na guerra colonial, em Angola, enveredou pelo jornalismo, estreando-se no Diário de Lisboa, em 1965. Colaborou em publicações literárias e em vários jornais, como o República, O Jornal, o Se7e, o Jornal de Letras (de que também foi redactor). Era, à altura da sua morte, redactor da Visão.
Participou, ainda, em programas de rádio e televisão, foi autor de poemas musicados por compositores portugueses e de textos e diálogos para documentários e filmes.

Como escritor, Assis Pacheco não esteve ligado a qualquer escola literária. Os seus textos, ao mesmo tempo que reflectem um esforço de pesquisa e experimentalismo na língua portuguesa, são fortemente marcados por uma intenção de crítica social e pela experiência da guerra colonial portuguesa. Por diversas vezes tentou iludir a censura, nomeadamente alterando os títulos dos seus livros.
Estreou-se com o volume de poesia Cuidar dos Vivos (1963), publicou, durante muito tempo, pequenas tiragens em edição de autor, o que não impediu a imposição do seu nome na moderna literatura portuguesa. Na ficção em prosa, foi autor de Walt (1978) e do romance Paixões e Trabalhos de Benito Prada (1993). Traduziu para português obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez.

Juntei-me um dia à flor da mocidade
partindo para Angola no Niassa
a defender eu já não sei se a raça
se as roças de café da cristandade

a minha geração tinha a idade
das grandes ilusões sempre fatais
que não chegam aos anos principais
por defeito da própria ingenuidade

a guerra era uma coisa mais a Norte
de onde ela voltaria havendo sorte
à mesma e ancestral tranquilidade
azar de uns quantos se pagaram porte
esses a que atirou a dura morte
diz-se que estão na terra da verdade
in Respiração Assistida